Protesto da saúde termina depois de 12 hora no Recife

Postado em 13 de Fevereiro de 2020

Por Diario de Pernambuco

 

Depois de 12 horas, o protesto organizado pelo Sindicato dos Auxiliares Técnicos de Enfermagem de Pernambuco (Satenpe) com servidores das unidades de saúde estaduais foi encerrado, liberando as vias da Avenida Agamenon Magalhães. Os profissionais foram retirados do local após confronto com o Batalhão de Choque, por volta das 20h. O presidente do sindicato foi detido e levado para a Central de Flagrantes. O grupo chegou à via por volta das 8h30 e instalou barracas de acampamento no local. O trânsito ficou comprometido ao longo de todo o dia, no Recife, em função da paralisação.

A mobilização articulada pelo Satenpe marcou o 14º dia de greve da categoria e perdurou até as 20h14. Os organizadores prometeram acampar e ficar 24 horas na avenida, principal via de deslocamento. O presidente do Satenpe, Francis Hebert, chegou a prometer bloqueio até encerrada a negociação com o governo. “Vamos acampar aqui por 24 horas, até que o governo nos dê pontos positivos de nossa pauta, ou venha com trator e polícia nos tirar à força”, comentou, pela manhã.

O desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) Evandro Magalhães Melo determinou, na noite desta quarta, o retorno imediato ao trabalho dos servidores da saúde em greve desde 30 de janeiro.  A decisão, dirigida ao Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Pernambuco (Seepe) e ao Satenpe, também proibiu o bloqueio de via pública, como a Avenida Agamenon Magalhães.

Em nota, a Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco informou que a  liminar atendeu a pedido apresentado pela  PGE-PE e que em caso de descumprimento da determinação judicial, os sindicatos serão multados em R$ 30 mil por dia.

A decisão contou com o apoio da Polícia Militar. No fim da noite desta quarta, o Batalhão de Choque cumprindo ordens da Justiça ameaçou retirar os servidores, que estavam com barracas de acampamento na Agamenon Magalhães, entre a Praça do Derby e o Parque Amorim. A polícia deu três minutos para que todos saíssem, sob pena de uso da força. Os manifestantes foram para a calçada do Hospital da Restauração (HR) e evitaram confronto, justificando que 95% deles eram mulheres.

Entretanto, regressaram e fecharam a via local, em frente ao hospital. O Batalhão Choque chegou a lançar bombas contra os manifestantes. Nesse momento, o presidente do sindicato foi detido. O filho dele, Vitor Hebert, foi agredido por cinco policiais. “Eu estava abraçando meu pai e apaguei porque fecharam a minha glote”, disse Vitor. No meio da confusão, uma mulher que andava pela calçada passou mal e precisou ser socorrida para o HR. 

A categoria diz tentar negociar há seis meses com o governo. Eles tem uma pauta de reivindicação que inclui melhorias salariais e outros direitos. Os trabalhadores, oriundos de vários hospitais estaduais, reivindicam reposição dos salários baseada nos últimos 10 anos de inflação, isonomia salarial, adicional noturno, insalubridade, quinquênio e atualização do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV). No fim da tarde, uma comissão dos trabalhadores foi recebida por representantes da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) e da Secretaria de Administração (SAD) de Pernambuco. Os pontos da pauta ficaram de ser discutidos novamente no segundo semestre. Nesta quinta-feira (13), a categoria voltará a se reunir no estacionamento do HR, por volta das 7h, para definir os próximos passos do movimento.  
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